Em uma manhã costumeira, o motorista me levava ao centro tecnológico da Unicamp, e conversávamos sobre crianças que perderam sua infância; trabalhando para ajudar os pais,se metendo no crime, morrendo, ou desperdiçando-a de alguma forma. Então, eu parei, e comecei a pensar se aquilo de alguma forma estava acontecendo comigo. No meio do caminho, como sempre, parei na banca da tia Fátima, e ao invés de comprar a "super interessante", resolvi comprar vários gibis e achar uma nova forma de divertimento, talvez...um divertimento normal.
Já ia me despedindo, quando essa vidente das horas vagas( parecia até meio bruxa), Fátima Zoraide, me ofereceu um de seus bombons que ela vivia comendo, e dessa vez resolvi aceitar.Saí da banca comendo o bombom, e segundos depois que havia entrado no carro, comecei a me sentir um pouco tonto; meu motorista espichou o olho pelo retrovisor e me viu desmaiar em silêncio e com um estranho sorriso no rosto.
Não sei quanto tempo já havia se passado, estava um pouco tonto ainda; amarrado e amordaçado, jogado num canto de um casebre de madeira que tremia um pouco, parecia que um trem passava rente. Observei alguns jornais jogados no chão, e em um deles estava eu na capa: "Jovem P.C. Júnior, de apenas 12 anos, em busca do Nobel de Física". Me dei conta naquele exato momento que meu pai estava prestes a perder alguns milhares de dólares. Quando parei pra observar direito, todos os jornais tinham notícias minhas e da minha família, inclusive um classificado circulado em que meu pai oferecia emprego.
Comecei a ouvir uma conversa que vinha do lado de fora, e reconheci as vozes do meu motorista e da tia zoraide, mas tinha uma terceira voz que eu não reconheci de imediato, mas não me era estranha; só sei que o chamavam de Dôri.Douglas , o motorista, estava apreensivo, mas o tal de dôri dizia que tudo já estava encaminhado; no meio de uma gragalhada, disse que a "investigação" já estava sendo feita, e que em 10 minutos meu pai ia começar a pagar por ter feito matar o próprio irmão caçula. Se despediu deles e mandou me buscarem.
Meu motorista Me olhava com cara de raiva, e tia fátima parecia até estar com pena de mim. Quando vi, estávamos atrás da estação de trem, em volta de um matagal. Mandaram que eu ficasse quieto, e se contasse algo ao meu pai, eles me matariam facilmente. Fiz que sim com a cabeça, e me deixaram dentro do trem das onze horas.
De dentro do trem, vi meu pai deixando a maleta de dinheiro no vagão que pediram, e então veio ao meu encontro com um cara. Meu pai me apresentou o investigador Dorisgleison Silva, que se tornou homem de confiança dele depois que atirou e matou um pivete encapuzado que o assaltava na saída da nossa casa após uma reunião entre eles.
Tudo se encaixou em minha cabeça. Eu não sabia o que fazer, o que ia acontecer. Não sabia o que estava certo, quem estava errado. Refleti mias profundamente, e percebi que toda essa história não era só de infâncias perdidas, mas sim de vidas perdidas. Cada uma de um jeito, e nenhuma delas por um motivo plausível, ou ao menos racional.
*Essa história eu escrevi ano passado, foi uma redação. Na aula de redação ( dãã) o professor passou esse tema da Unicamp de algum ano aí , daí tinha q fazer uma redação do sequestro de um garoto e tinha que ter nomes e tal, alguns detalhes. É bem difícil fazer redação com número limitado de linhas né...mas eu gostei bastante dessa..e tirei mó notão o.O auehuahueuaue Enfim...acaba no final sendo um texto reflexivo né...então, tá aí ...espero que gostem xD
Música do dia:" Everyday feels like a Monday,
There is, no escaping from the heartache,
Now I, gotta put it back together,
'Cause it's, always better late then never"
domingo, 21 de junho de 2009
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